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pai João e mãe Sofia

pai João e mãe Sofia

Fotografia em palavras

São duas da manhã, estamos os três - eu e os miúdos - a sorrir no espelho do elevador. 

     

Viemos do jantar de aniversário do Martim. Comida, conversas, gargalhadas, desabafos e exemplos de vida com uma família que vai sendo também um pouco nossa. Os miúdos conversaram, jogaram PlayStation e tablet, jogaram xadrez. Os mais novos já dormiam, o afilhado na cama, o mini no sofá da sala, enrolado numa manta que foi buscar quando sentiu o sono a chegar. Recebemos um convite de casamento inesperado. Estivemos com amigos-família e temos o coração cheio.

    

12 anos de sobrinho do coração. E às duas da manhã, estacionei o carro muito longe da porta de casa. Os dois filhos adormecidos e choviam gatos e cães. Acordei o crescido e pus-lhe um chapéu de chuva na mão. Saiu do carro e seguiu pelo passeio, vários passos dados no sentido contrário da porta do prédio, até se ter dado conta do erro e dado meia-volta. O mini pendurado em mim. Braços e pernas apertados à volta do meu corpo, que as minhas mãos estão ocupadas com malas, sacos e o chapéu de chuva. 

    

Estamos os três, às duas da manhã, a sorrir no espelho de elevador. Tantos andares para cima. Apanhámos o ar fresco da noite e uns pingos rebeldes na cara. Estamos cansados, mas acordados. Estamos felizes e rimos os três porque temos a sorte de ter estado com amigos-família. Temos o pai a trabalhar e a voltar dali a pouco, a cadela a passar o fim de semana nos avós, mas temos a fortuna de nos termos uns aos outros. E sorrimos. E como é tarde e estamos para lá de cansados, dizemos disparates. E como dizemos disparates, rimos no elevador e fazemos chiu porque são duas da manhã. 

    

E quando os meus olhos batem no espelho do elevador, levo a mão ao bolso para pegar no telemóvel e tirar uma fotografia. Porque são duas da manhã, mas temos energia para rir e para estarmos bem-dispostos. Só que percebo que a imagem que vai ficar gravada, apesar de sermos nós a sorrirmos, não vai traduzir de maneira nenhuma o nosso estado de espírito. O meu, na verdade, que sou eu que quero agarrar este momento.

   

Largo o telemóvel, inspiro fundo e tiro uma fotografia com os olhos e com o coração. Estas mil palavras valem mais do que uma simples imagem.

    

     

 

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