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pai João e mãe Sofia

pai João e mãe Sofia

Eu tenho um sonho: quero ser feliz em Portugal!

De todos os que gritámos durante a tarde, este foi talvez o mote que cantei com mais vontade. É que juro que há uns dias disse ao pai João "Olha, é mandá-los para fora do país à mínima oportunidade".

 

Estive indecisa até à última. Queria ir, muito. Porque pode não mudar nada, mas ficar em casa também nada muda e este mix de frustração e fúria está a começar a dar cabo de mim. Com o pai João numa atividade de escuteiros, só poderia ir com os miúdos atrás, o que por um lado me agradava, mas por outro me deixava preocupada.

Olha, à tarde queres ir andar de comboio e ir à manifestação? Perguntei ao crescido. Resposta pronta: Boa! Vou fazer o meu cartaz! E o que vais escrever? Vou colar a cara do Passos Coelho, aquela da revista, e vou escrever... hum.... queremos pagar menos! E vou colar palhinhas para segurar.

Fez o cartaz e assim que o mini acordou da sesta metemo-nos ao caminho.

   

Nunca tinha ido a nenhuma manifestação. Arrependi-me de não ter levado dois ou três dos quinhentos apitos, buzinas e semelhantes que habitam cá em casa, mas fiquei feliz com o mar de gente à nossa frente e outro igual, a perder de vista, para trás.

Para os miúdos foi uma festa! Gritos, motes, palmas. Gente a meter-se com eles, tão pequenos. E tantos outros pequenos à nossa volta a fazer companhia aos meus.

Não fomos até à Assembleia porque achei que eles não aguentariam a pé até lá e confesso que tive receio dos confrontos. Mas caminhámos até à Praça de Espanha. E depois até ao Marquês. E tive de arrastar os putos para o metro, que não se queriam ir embora.

    

 

Não sei se depois de hoje alguma coisa mudará. Mas não podíamos simplesmente não ter ido.

Por eles. E por nós.

   

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