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pai João e mãe Sofia

pai João e mãe Sofia

Inseguranças

Gosto de ti, mãe.

    

E eu de ti!

 

Gostas de mim, desde que eu não faça disparates?

 

Os disparates têm sido muitos. É a idade e a ciumeira.

Tem provocado, desafiado, desobedecido, recusado e enfrentado.

Ao mesmo tempo que inventa disparates, desespera pela minha atenção, disputa-me com o pai, com o irmão e com toda a gente que queira trocar comigo mais do que duas palavras. Fala alto, muito alto e, regra geral, só tem tido dois estados de espírito: a histeria com que ri de tudo e mais alguma coisa e a tristeza e o choro sentido em que se afunda à mínima contrariedade ou repreensão.

     

É uma fase. É só uma fase, convenço-me e respiro bem fundo.

Procuro formas de lhe dar segurança, de lhe mostrar que é querido e amado, de o chamar à razão, de manter os limites de sempre. Mas isto de andar de birra em birra, de passar o dia a tentar não ralhar por tudo e por nada, de me tentar desdobrar impecavelmente nas mil e uma facetas que esperam de mim, é difícil e cansa. Muito.

        

Gosto de ti sempre!

Mesmo que faças disparates. - Digo-lhe.

      

E ele sorri.

     

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