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pai João e mãe Sofia

pai João e mãe Sofia

Já depois de o ter deitado, à noite...

... ouço um chamamento mais insistente.
     
Vou pé ante pé até à porta do quarto, para que não me veja a espreitar o que se passa (terá sido a chucha que caiu, será que está atravessado e não se consegue mexer...) e deparo-me com a figura do fulaninho  de pé, agarrado às grades da cama, com um dedo espetado a indicar o ó-ó, caído no chão.
     
E, em vez de lhe ter dado a chucha e devolvido  o ó-ó, em vez de o ter deitado calmamente...
    
... desatei a rir à gargalhada (atitude que ele imitou prontamente), chamei o pai João para vir ver, celebrámos muito bem a primeira vez que, sozinho na cama, se pôs em pé, e só não tirei fotografias porque não sabia bem onde estava a máquina.

Faltam 10 dias!

E o nervoso miudinho invade-me cada vez com mais intensidade.
 
Pelo aproximar da data e pelas memórias que me ocupam os pensamentos com emoções vividas há um ano atrás. Principalmente com o aproximar do fim do ano lectivo, com este calor e com o cheiro o Verão que já paira no ar.
 
Gosto muito mais de o ter cá fora, mas tenho tantas saudades de estar grávida do filhote!
       
Hoje fizemos a lista dos comes e bebes (para pensar em encomendar o que é preciso, já que se avizinham tantos feriados), revimos a lista dos convidados e ultimámos os convites.
O grande dia aproxima-se!

Presumo que já venha integrado no sistema de origem...

... porque não vejo como seja possível aprender uma coisa destas.
      
Os meus Não!s agora são seguidos de abraços muito sentidos, uns beijinhos muito doces e lambidos, e uma cara de mimo ao jeito do Gato das Botas.
    
E dois milésimos de segundo depois, já está o filhote de volta àquilo que proibi antes de me ter dado os mimos todos!
     
É preciso uma lata!!

Eu sou suspeita...

... mas ele está numa fase linda.
Todos os dias faz uma novidade, todos os dias há algo que já consegue fazer melhor, todos os dias descobre mais coisas no mundo à sua volta...
     
Derreto-me com as gracinhas e as caretas e entusiasmo-me com o despacho dele em arrastar-se até onde quer e a vontade em passear-se sozinho pela casa agarrado a móveis, paredes e mãos que apareçam por ali a dar uma ajuda.
      
Sobe, desce, trepa, baixa-se e estica-se com uma facilidade impensável para quem começou  a rebolar já depois dos 9 meses...
      
E estamos a entrar numa altura perigosa.
Já vai fazendo distâncias muito curtinhas entre móveis, sem se agarrar a lado nenhum, de livre e espontânea vontade.
O que também quer dizer que a confiança na sua capacidade em andar sozinho aumenta de hora para hora, bem como as probabilidades de cair redondo no chão, na sua já famosa posição de carapau, todo esticado para trás.
   
A ver vamos... andando...

Dia da Criança

   
Dia de arromba!!
Depois das celebrações na creche, fomos almoçar com o meu pai e perto do trabalho dele também havia festa a sério.
      
Não quis perder pitada. Passeou, apontou, foi ao colo de todos os que o quiseram carregar e andou pela mão de qualquer um que lhe fosse mostrar novidades... Nota mental: assim que comece a andar, comprar-lhe uma trela ou um alarme que dispare sempre que ele se afaste mais do que 3 metros.
     
         
E no Dia da Criança, eu que sou uma mamã canguru, que levo o filhote comigo para todo o lado (sempre na certeza de que não está melhor em lado nenhum onde eu não esteja) não resisto a deixar aqui um artigo de opinião do Diário de Notícias. 
É que espelha bem a indignação que senti quando ouvi, em directo, as declarações do Miguel Sousa Tavares na TVI... 
          
"CALEM-ME A CRIANCINHA QUE NÃO CONSIGO MASTIGAR

Estava Miguel Sousa Tavares na TVI a comentar a nova Lei do Tabaco quando da sua boca saltou esta pérola: o fumo nos restaurantes, que o Governo quer limitar, incomoda muitíssimo menos do que o barulho das crianças - e a estas não há quem lhes corte o pio. Que bela comparação. Afinal, o que é uma nuvenzinha de nicotina ao pé de um miúdo de goela aberta? Vai daí, para justificar a fineza do seu raciocínio, Sousa Tavares avançou para uma confissão pessoal: "Tive a sorte de os meus pais só me levarem a um restaurante quando tinha 13 anos." Há umas décadas, era mais ou menos a idade em que o pai levava o menino ao prostíbulo para perder a virgindade. O Miguel teve uma educação moderna - aos 13 anos, levaram-no pela primeira vez a comer fora.

Senti-me tocado e fiz uma revisão de vida. É que eu sou daqueles que levam os filhos aos restaurantes. Mais do que isso. Sou daquela classe que Miguel Sousa Tavares considerou a mais ameaçadora e aberrante: os que levam "até bebés de carrinho!". A minha filha de três anos já infectou estabelecimentos um pouco por todo o país, e o meu filho de 14 meses babou-se por cima de duas ou três toalhas respeitáveis. É certo que eles não pertencem à categoria CSI (Criancinhas Simplesmente Insuportáveis), já que assim de repente não me parece que tenham por hábito exibir a glote cada vez que comem fora - mas, também, quem é que acredita nas palavras de um pai? E depois, há todo aquele vasto campo de imponderáveis: antes de os termos, estamos certos de que vão ser CEE (Crianças Exemplarmente Educadas), mas depois saltam cá para fora, começam a crescer e percebemos com tristeza que vêm munidos de vontade própria, que nem sempre somos capazes de controlar.

O que fazer, então? Mantê-los fechados em casa? Acorrentá-los a uma perna do sofá? É uma hipótese, mas mesmo essa é só para quem pode. Na verdade, do alto da sua burguesia endinheirada, e sem certamente se aperceber disso, Miguel Sousa Tavares produziu o comentário mais snobe do ano. Porque, das duas uma, ou os seus pais estiveram 13 anos sem comer fora, num admirável sacrifício pelo bem-estar do próximo, ou então tinham alguém em casa ou na família para lhes tomar conta dos filhinhos quando saíam para a patuscada. E isso, caro Miguel, não é boa educação - é privilégio de classe. Muita gente leva consigo a prole para um restaurante porque, para além do desejo de estar em família, pura e simplesmente não tem ninguém que cuide dos filhos enquanto palita os dentes. Avós à mão e boas empregadas não calham a todos. A não ser que, em nome do supremo amor às boas maneiras, se faça como os paizinhos da pequena Madeleine: deixá-la em casa a dormir com os irmãos, que é para não incomodar o jantar."

João Miguel Tavares - Jornalista - jmtavares@dn.pt

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